quinta-feira, 4 de março de 2010

A vida é fantástica

Para além de estar numa fase egocêntrica, estou também numa altura da vida em que acho tudo fantástico, curioso não? mas é verdade, penso que a chave da felicidade é quando descobrimos o segredo de um enigma, e percebemos a sua lógica. Quando as peças encaixam e tudo faz sentido não existe problemas, ou melhor existir, existe sempre, muda é a forma como lidamos com eles. Pois se o raciocínio é outro, o método também. A questão é que tudo é tão nítido neste momento, que até os meus bloqueios consigo perceber perfeitamente porque cá estão, agora falta manda-los embora. Medo todos sentimos, mas à determinadas alturas que ele aperta o nosso coração com tanta força que nos faz ter medo de perder o que temos, enfim receios naturais de uma rapariga de 23 anos. Mas a parte positiva é a seguinte, à um tempo atrás para além de eu não conseguir falar sobre os meus medos, isso iria-me prendar de tal forma que não ia pensar em mais nada e a versão da vida ser fantástica seria outra, pois nem pensava nisso. A verdade é que ter medo é natural e não têm nada a ver com mais nada, à alturas que temos que mandar alguns pensamentos à merda. Desculpem a expressão mas é verdade, em certos momentos é saudável nós mandarmos-nos à merda assim impede que pensemos em coisas ridículas e que não interessem. Guardando energia, neurónios e tempo para aquilo que realmente nos importa e é importante investir.Viver afinal não é assim tão difícil, até pode ser bastante fácil, basta aprender os truques, e os truques existem dentro de nós.

quarta-feira, 3 de março de 2010

hoje iniciei mais uma etapa, mais uma viagem pelo planeta terra...
talvez me esteja a tornar menos marciana e talvez esteja a gostar de ver a terra de outra forma. Ontem foi para mim um dia muito importante, acho que o 1º dia em que me senti orgulhosa, na verdade a sensação foi de tal forma formidável que me encheu de adrenalina para enfrentar um medo... o medo de andar sozinha a pé à noite. Bem a noite eram 19h00 mas de inverno está escuro e fiz uma longa caminhada até à Biscaia, não é exactamente um percurso que volte a repetir no escuro e sozinha pois é um trajecto perigoso, não há condições para caminharmos na serra em segurança sem estarmos sujeitos a levar com um carro em cima, mas cheguei viva a casa que era também o objectivo.Rompi algumas amarras e agora estou em direcção a um caminho desconhecido, crescer têm-me custado mas pela primeira vez senti que crescer é algo formidável. Ontem a minha terapia terminou, cheguei ao fim do meu trajecto. Foi uma enorme ajuda, descobri quem era e foram e são no que diz respeito a nos apoiarem fantásticos, mas penso que chegou a altura de descobrir quem é a Ana Maria e por em prática tudo o que aprendi sozinha.todos os dias são um desafio mas eu sinto-me pronta para o enfrentar. Ontem reuni com a minha terapeuta para ter uma conversa com ela sobre a minha decisão, mantive contacto visual e pela primeira vez consegui dizer tudo, exactamente o que queria sem ter que recorrer à carta, é verdade falei sem ter que escrever, ontem senti-me mesmo contente comigo.Assim que saí só me apetecia comemorar o facto de ter sido capaz de me expressar sem ter que escrever, de ter mantido contacto visual, de tudo neste momento me fazer sentido e ser tão claro para mim, por me estar a sentir decidia e orgulhosa e acima de tudo porque descobri que gosto de mim. A primeira coisa que tive vontade foi de abraçar a minha mãe e contar-lhe que tinha sido capaz de me explicar. E comemoramos mais uma Victoria, Mais uma vez tenho que dizer que se não fosse a minha mãe a exigir de mim, que eu nunca tinha chegado onde cheguei e nem sequer estou a metade do caminho, pois a minha jornada só agora começou.Obrigada mãe por me preparares para a "batalha".

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Apenas desabafos

Qual é a necessidade que as pessoas têm em dramatizar tudo? eu também já embarquei em alguns dramas, mas ainda bem que já me curei (penso eu)...
A verdade é que toda a gente se preocupa com o que os outros pensam, porque será? eu também o faço, estou a fazer uma crítica que também me engloba, no entanto não deixa de me intrigar.
Às vezes penso que está tudo ao contrário e ninguém se concentra no que é realmente importante, como a minha mãe diz o importante é viver, apenas vivermos, aqui e agora.
Concordo com tudo o que diz, mas aplicar por vezes já se torna mais complicado... e quando acho que estou a remar de um certo modo, contradigo-me e deixo-me influenciar pelo sentimento mais dominador a culpa... A voz esconde-se baixinho e não consegue dizer não.
Depois de andar bastante irritada comigo sem estar a perceber, em segundos a minha mãe fez-me entender tudo aquilo que me estava a irritar e tinha razão como sempre, mas essa conversa fez-me pensar e analisar que quero mesmo ser eu a pegar no leme do meu barco, então não posso fraquejar sempre que se aproxima uma tempestade. Este tema não é minimamente interessante para ser lido, não passa mais do que um mero desabafo, peço desculpa aos meus leitores se ando tão egocêntrica, mas na verdade neste momento, o meu blogue é uma espécie de diário...hei de avançar para temas mais interessantes, mas por enquanto são apenas desabafos da alma.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dúvidas

Ser quem quisermos está apenas nas nossas mãos, mas isso não quer dizer que seja necessariamente fácil, acho que 23 anos talvez seja um pouco a idade do armário, ainda não somos exactamente adultos mas também já não somos exactamente adolescentes, é assim um meio termo, pelo menos é como me sinto. Também sou suspeita pois penso que as minhas fases vieram todas fora do tempo...tenho que arranjar novos temas para escrever, porque penso que me estou a tornar um pouco repetitiva, mas hoje não tenho nada em especial para escrever, nem do que falar, é um daqueles dias que me apetece apenas escrever, à quem lhe apeteça apenas falar é igual, talvez me sinta um pouco sozinha, a uma determinada altura todos sentimos não é verdade?mas também não quero estar com ninguém, não é a esse "sozinha" que me refiro, mas uma espécie de solidão de ideias, talvez...falta de novidades penso que é o termo mais correcto, é tudo o mesmo nada acontece de novo.Acho que estou um pouco saturada das mesmas rotinas, das mesmas pessoas, dos mesmos cenários todos os dias, o céu é sempre o mesmo não à nada de entusiasmante, assim algo de surpreendente um marciano a cair da lua também era engraçado.Falta um pouco de mais intensidade na minha tela, mas em breve devo descobrir cores novas.De resto não tenho nada para contar, estou grata com a vida que tenho, embora muitas vezes o meu rosto não o transpareça sou muito feliz , tenho a vida que quero ter e que à muito procurava, às vezes até sou um pouco ingrata pois não me falta nada e mais sorte que a que tenho acho que era impossível, mas sem me queixar, apenas comentando falta alguma adrenalina.Nunca senti necessidade de a ter, mas parece que à sempre uma altura para tudo.Ver coisas novas, sentir outras emoções, ter outras experiências. Paris já me apetece voltar...Quando pisei pela primeira vez numa cidade desconhecida senti exactamente aquilo que preciso de sentir, gente a andar nas ruas, outro andamento, nesse dia apercebi-me que apesar de os estímulos serem mais que muitos e a informação correr pela minha cabeça, tipo roda giratória que pode ser bastante fascinante e que o contacto visual que me obriguei a fazer e que já consigo manter é uma novidade muito interessante de explorar. mas também gostava de sentir estas sensações, esta emoção, esta adrenalina sem ter que sair do pais, dava algum jeito.Quando tive em Paris acho que o ar que respirava era adrenalina, pelo menos o meu coração não parava quieto, uma ânsia de ver mais, de ver tudo, de andar, de sentir.Simplesmente fantástico...Foi o inicio de uma grande viagem...mal posso esperar pela próxima...pegar numa mochila e ir, simplesmete ir à descoberta de algo nunca antes visto, sentido...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

vamos imaginar que a vida é um puzzle ou um enigma, quando não se percebe as regras do jogo ficamos confusos. Certo? pois é difícil de entender certos códigos, mas quando nos explicam ou os entendemos, tudo ganha sentido e vamos nos apercebendo que os problemas eram criados por nós. Eu tive a sorte de me mostrarem novos caminhos e de me abrirem horizontes e hoje sinto que ser asperger não têm relevância nenhuma é como gostar de pizza ou como não gostar de peixe cozido. Ter uma síndrome não nos limita em nada a não ser que tenhamos um déficie cognitivo não nos é condicionante. Pois dificuldades, limitações e manias todos temos com síndrome ou não. Tenho consciência que se não fosse a minha mãe eu era apenas mais uma pessoa que anda à deriva, sem saber o que fazer, num completo estado zombie sem conseguir ou querer sair dele, enfim era apenas mais um verbo de encher. Muitas vezes a ajuda está à nossa frente e nós simplesmente não a queremos ver, pois tudo depende se queremos sair da nossa zona de conforto ou não. A verdade é que quando a minha mãe surgiu do nada senti o tremor de terra que à muito ansiava. O meu cérebro foi "invadido" com nova informação, como estou grata, nessa altura tive a certeza que não queria continuar à deriva de mim mesma e dos outros. Agora sim comecei a viver, no entanto muitas vezes ainda sou puxada contra a maré, por vezes perco os remos mas graças aos novos chips que me foram instalados, descobrique existe um mundo tão vasto, enorme fora da minha janela e que quero muito explorar e conhecer. O que importa é eu manter-me fiel e ser a Ana.Ser asperger causava-me imensa confusão é um facto, mas quando pus de parte esta camisola e com ajuda analisei-a percebi que era apenas um ponto de partida para me desafiar a chegar à meta. É apenas mais uma nova etapa, agora sei o que se passa comigo, já posso pegar nas ferramentas certas para me trabalhar, para superar as minhas dificuldades e dar novas ordens ao meu cérebro, coisa que ainda não consigo fazer muito bem, mas com a exelente professora que tenho, que nunca me deixou desistir de mim hei de lá chegar. Não deixei de ter Síndrome de asperger mas já a despi da minha roupa diária. Para aprendermos é preciso errarmos e dizer não à nossa zona de conforto. Mesmo quando a nossa cabeça quer optar por outro caminho. Tal como a minha mãe diz é preciso contrariá-la. Se não fosse ela nem sabia que era possível ter estes pensamentos. Uma pessoa pode fazer toda a diferença na vida de alguém, pode ser realmente um marco importante, no entanto só pode causar impacto se estivermos dispostos a isso. Só cresce quem quer crescer, só vê quem quer enxergar. Obrigada...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Em determinada altura das nossas vidas sentimos necessidade de as mudar.
Começa a nascer uma sede incontrolável pelo conhecimento e descobrimento, por ver outros horizontes, por vezes temos que romper ciclos para conseguirmos destrancar a fechadura que nos bloqueia e podermos ser livres. A nossa vida é uma tela ou um livro em branco, cujos autores somos nós. Tudo depende da nossa gestão e das escolhas que fazemos. Ninguém é de ninguém, temos que ser fiéis a nós próprios.
Muitas vezes ainda me vejo presa em situações que claramente não quero estar, mas nessa altura o sentimento de culpa fala mais alto e faz-me ser infiel comigo, o que quer dizer que continuo com certas amarras.
Começar do zero nem sempre é fácil, mas digo por experiência que os caminhos mais fáceis são uma mera ilusão, por vezes não sair da nossa zona de conforto, leva-nos para caminhos altamente minados.
A culpa é um sentimento completamente redutor e dominador do ser humano, capaz de nos levar a fazer coisas completamente irracionais e obrigar-nos a ter atitudes que não queremos. Mas claro que tudo depende se a deixamos entrar pela porta ou lhe conseguimos fazer frente e barrar a sua chegada. Eu ainda não consegui vedar-lhe o caminho.
A culpa é nos ensinada como uma aula, é nos introduzida pelos nossos progenitores ou por quem nos educa, talvez porque seja a maneira mais fácil de fazer chantagem emocional e controlar a nossa cabeça.
No entanto a partir do momento que crescemos e nos apercebemos deste mecanismo, deveria ser simples quebrá-lo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Humilhações, as humilhações são algo que inevitavelmente mais cedo ou mais tarde surgem. Os danos causados depende apenas do grau de intensidade que lhe atribuímos e como gerimos essa situação.
Há certas humilhações difíceis de esquecer contudo não esquecemos porque não o permitimos.
A vida não pára e nós também não podemos parar.
Vamos encarar essas situações como provas e às vezes rituais de passagem.
A verdade é que na escola quem nos bate ou goza connosco também já o foi e por não saber gerir esse conflito interior que lhe causou, têm que descarregar noutra pessoa que não se saiba defender, tal como o agressor, que durante um tempo foi a vítima.
Em determinadas alturas todos somos postos à prova.